Sessão plenária é marcada por confusão entre o Presidente da Casa e vereador petista

A sessão Plenária da Câmara de Vereadores de Santa Maria terminou mais cedo, nesta quinta-feira (12), após uma confusão que quase acabou em briga fora do Plenário. O presidente da Casa, João Ricardo Vargas (PP), subiu o tom de fala com o vereador Ricardo Blattes (PT) e o chamou para uma “conversar” na garagem. Blattes até ameaçou ir até o local e acenou para um assessor lhe acompanhar, mas acabou não indo para a tal conversa com o progressista Coronel Vargas, que acabou não retornando mais para a sessão.

Toda a origem da confusão está no ingresso na Justiça dos vereadores Tubias Calil (MDB) e Pablo Pacheco (PP) contra as multas dos controladores de tráfego. A dupla entrou com o pedido de liminar para suspensão imediata da fiscalização. Mas ao ingressarem com essa ação na justiça, os parlamentares atropelaram a vereadora Lorena Santos (PSDB), que é vice-presidente da comissão especial que fiscaliza os controles de velocidade. Tubias é o presidente do colegiado e Pacheco é o relator.

No microfone de aparte, Lorena reclamou publicamente da situação, afirmou que uma assessora procurou o vereador Tubias Callil em seu gabinete para tratar do assunto e então, solicitou sua saída da comissão.

Tubias foi até o microfone, desmentiu a vereadora Lorena informando que ninguém havia lhe procurado dentro do seu gabinete e pediu para a vereadora reconsiderar a situação e o pedido de saída da parlamentar da comissão.


Admar Pozzobom, que é líder da bancada do PSDB, também reclamou da situação. Lorena retornou ao microfone e disse que não é marionete e que se sentia desnecessária dentro da comissão.

Nesse momento o presidente da casa, Coronel Vargas disse que a discussão em vigor era antirregimental, pois o microfone de aparte não serve para esse tipo de discussão. Em seguida, o vereador Pacheco foi para o mesmo microfone e solicitou Regimentalmente o Artigo 119, com a temática de reclamação, solicitando um minuto de fala, pedido esse que foi atendido pelo presidente da casa. Acontece que a solicitação, entretanto, não é contemplada pelo Artigo 119 do Regimento Interno.

Pacheco também pediu para Lorena reconsiderar seu afastamento do colegiado e informou que a comissão vai produzir um relatório final que será de extrema importância para o judiciário.

Valdir Oliveira (PT) também se manifestou relatando que Lorena estava sendo desrespeitada na comissão. Werner Rempel (PCdoB) por sua vez apontou que o Artigo 119 não previa a fala do vereador Pablo Pacheco e explicou que um minuto é apenas para declaração de voto.

Admar Pozzobom voltou ao microfone explicando que se os vereadores Pacheco e Tubias Callil entraram com uma ação pelos mandatos deles, a dupla não pode ter uma comissão aonde eles serão beneficiados. O melhor seria que a comissão fosse extinta.

Após a fala de Werner Rempel, Blattes foi ao microfone e chamou atenção para o Artigo 119, deferido pelo presidente em favor de Pacheco. O petista chamou a situação de absurda.

“A tentiada do vereador Pablo Pacheco que foi deferida como reclamação, teria que ser deferida ou indeferida, uma reclamação que é um apelo a vereadora Lorena passa longe de uma reclamação e o mais absurdo é ter sido deferido pela mesa”, disse Blattes.

“Eu coloco mais esse absurdo na minha bolsa vereador. Vossa excelência sempre quando usa o microfone tenta atingir esse presidente”, disse Vargas.

“Tem espaço para mais”, devolveu Blattes.

“Não lhe dou a palavra vereador, não tem a palavra”, retrucou Vargas.

Blattes ficou em silêncio mas próximo do microfone aparte. Tubias se aproximou, relatou que não pretendia desvalorizar o trabalho de Lorena e solicitou a extinção da comissão. De imediato, Vargas disse que o colegiado estava extinto e que tal decisão seria colocada em ata.

Enquanto o presidente tentava retomar a sessão, Blattes perguntou em qual artigo do Regimento Interno se baseava a extinção da comissão. O questionamento fez Vargas perder a paciência com o parlamentar petista.

“Depois eu lhe informo por escrito”, respondeu.

“Não, não. Eu vou lhe aguardar aqui. O senhor é o presidente dessa sessão, o senhor tem que cumprir o regimento”.

“Não gagueje vereador, não gagueje”.

“Não estou gaguejando presidente, me dê a resposta presidente”.

“Vossa excelência não aponte o dedo para esse presidente, não aponte”.

“Presidente, os dedos estão aqui, eu não estou apontando de forma alguma de maneira desrespeitosa, agora vossa excelência tem o dever de cumprir o regimento, eu estou fazendo uma questão de ordem, vossa excelência acabou de extinguir uma comissão que foi aprovada por este plenário e eu estou perguntando com base no que?”, questionou Blattes.

“Vereador, como vossa excelência, desde o dia 1º de Janeiro desse ano vem tentando atingir essa mesa eu lhe digo o seguinte, que esse presidente disse que estava deferido o pedido que estava concedido o pedido e que apos eu vou colocar em votação deste plenário, agora, vossa excelência não venha aqui querer pautar algumas coisas que estão ocorrendo aqui na mesa, só lhe solicito isso, para que nós possamos manter o bom nível, temos mais três anos vereador”, rebateu Vargas.

Após a fala do Presidente da casa o vereador Tubias Callil, como autor do pedido solicitou a extinção da mesma e colocou em apreciação da mesa.

O Presidente da casa então se desculpou para quem acompanhava a sessão no plenário e para a comunidade que assistia, e disse que a situação vem a cada dia aumentando nestes últimos oito meses.

“Precisamos aqui colocar um ponto final nisso. Ou nos entendemos ou somos homens para nos… (Vargas faz então uma pausa em sua fala). Vereadores, eu não vou aqui dar e continuar essa discussão com o vereador pelo seguinte… Peço mais uma vez escusas porque é uma situação totalmente pessoal. Eu quero e solicito ao vereador que, se possível, após o encerramento da sessão se vossa excelência pode falar comigo em meu gabinete. Assim nós encerramos aqui, tá bem?”.

Após essa fala do presidente Vargas, Blattes responde com alguma fala longe de qualquer microfone e Vargas se irrita e responde:

“Vereador, pelo amor de Deus, pelo amor de deus vereador, pelo amor de deus. Vossa excelência… Vereadores, nesse momento estou passando a presidência para o vereador Paulo Ricardo e eu preciso conversar com o vereador Blattes”.

“Faz favor, vereador”, foi a última fala de Vargas captada pelos microfones da TV Câmara quando ele cruzou pela tribuna sinalizando para Blattes acompanhá-lo até a garagem do Legislativo.

Blattes até caminhou em direção a Vargas e fez um gesto para sua assessoria o acompanhar. Porém, ele desistiu e ficou dentro do plenário. O vice-presidente da Casa, Paulo Ricardo Pedroso (PSB), paralisou a sessão. No plenário, ocorreu uma aglomeração nas proximidades da porta que dá acesso a garagem. O microfone aparte ainda capta o vereador Tubias Callil dizendo: “Calma, não é assim também”.

Cerca de 20 minutos depois, Paulo Ricardo retomou a sessão e logo encerrou os trabalhos por falta de quórum. Vargas não retornou ao Plenário.

Na noite de quinta-feira, Blattes publicou um vídeo em sua rede social Facebook em que, mais uma vez, criticou a postura de Vargas.

“O presidente da casa, João Ricardo Vargas me chamou para conversar na garagem, nas escuras, onde não tem câmera, mas o que isso? isso não é atitude condicente do parlamento, ele saiu completamente do sério. Eu lamento que nossa casa legislativa ainda esteja sendo comandada por alguém que não tem condições psicológicas né, faltou temperança pra enfrentar os verdadeiros problemas, a gestão dele já é desastrosa, não dá soluções pra câmara legislativa, faz com que viremos verdadeiramente chacota pois ele não tem respostas nem sobre o prédio da câmara […] nem sobre as atas, e ele acha que isso é uma questão pessoal, não é uma questão pessoal, é uma questão política e a gente decide no plenário, não é na escuridão de uma garagem que eu vou me submeter a conversar”. declarou Blattes.

O presidente da Casa, vereador João Ricardo Vargas, se manifestou por nota, segue abaixo:

“Tenho minha consciência tranquila porque não preciso fazer lives, vídeos e manifestações nas minhas redes socias para tentar me defender das posições que decidi tomar. Tenho o apoio e respeito dos meus colegas da Câmara de Vereadores, sejam os edis ou servidores que no dia a dia demonstram através de seus espíritos públicos a vocação de servir a coletividade, com zelo e respeito!

Ser Presidente da Câmara de Vereadores é uma honra e uma missão que ultrapassa todas as questões ideológicas e/ou partidárias, pois cabe a mim TRABALHAR e conduzir o Poder Legislativo com toda a sua pluralidade de ideias e ideais, na busca da consecução da lei, garantia da liberdade e do bem comum em uma convivência e prática Republicana.

A minha indignação transborda e representa inclusive muitos dos Parlamentares. O desconforto com a falta de decoro e postura de alguns vereadores, que preferem acima de tudo, olvidando sua condição representativa no parlamento, tumultuar ao invés de construir, exteriorizando a sua verdadeira índole, intenção e vontade individual de fazer por si e para si, e definitivamente não representar a vontade e necessidade de quem ilusoriamente acreditou que seria representado ao dedicar seu vota a ele.

O Sr. Ricardo Blattes do Partido dos Trabalhadores – PT utiliza de subterfúgios para atrapalhar os trabalhos da Casa, nas sessões plenárias e de maneira geral em toda a Câmara de Vereadores, seja na sua administração ou trabalhos legislativos. Demonstra clara e ideologicamente, de forma planejada e dedicada, e age tendo como meta “não produzir ou ajudar em nada, e sim se puder piorar e tumultuar, para se aproximar cada vez da sua essência, do seu berço político e satisfazer seu ego, passando ao largo de sua real atribuição institucional”.

Com a ajuda de todos os outros Parlamentares, continuaremos sempre de forma honesta e profícua professando de forma séria, cívica e responsável nosso trabalho junto ao Parlamento conduzindo-o a servir nossa comunidade. Trabalhando nas soluções e nas interações institucionais com o Poder Executivo, sendo fiscalizando ou acolhendo suas ações em prol de Santa Maria.

Não abro mão do combate em nome de valores éticos e morais da democracia e da boa política, da democracia e a ordem pública.

João Ricardo Vargas – CEL VARGAS, Presidente CMVSM”




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