O segundo dia do julgamento dos três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, foi encerrado por volta das 21h desta terça-feira (30), no Fórum de São Gabriel. Ao longo do dia, foram ouvidas mais seis testemunhas, totalizando dez depoimentos desde o início do Tribunal do Júri.
Os réus, que permanecem presos preventivamente, respondem por homicídio qualificado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Médico legista descarta afogamento
Entre os depoimentos, o médico legista responsável pela necropsia afirmou que Gabriel não morreu por afogamento. Segundo o perito, a causa da morte foi um trauma provocado por objeto contundente na região cervical.
O médico explicou que não foi possível determinar com precisão a data e o horário da morte devido ao estado de conservação do corpo, encontrado dentro de um açude uma semana após o desaparecimento.
Testemunhas detalham investigação
Também prestou depoimento a tenente-coronel da Brigada Militar responsável pelo Inquérito Policial Militar, que relatou as diligências realizadas durante a investigação, incluindo a análise do trajeto da viatura utilizada pelos policiais na noite do desaparecimento.
Um perito criminal descreveu as condições do local onde o corpo foi localizado e apresentou detalhes técnicos sobre a área e os vestígios encontrados.
Durante a tarde, foram ouvidas a mulher que acionou a Brigada Militar na noite da abordagem e uma vizinha que presenciou parte da ocorrência. O último depoimento do dia foi de um tenente da Brigada Militar que participou das buscas por Gabriel após o registro de seu desaparecimento.
Julgamento continua nesta quarta-feira
O Tribunal do Júri será retomado nesta quarta-feira (1º), às 9h. Ainda devem ser ouvidas nove testemunhas, além dos interrogatórios dos três réus.
Na sequência, acusação e defesa apresentarão seus debates antes da decisão do Conselho de Sentença.
Relembre o caso
Gabriel Marques Cavalheiro desapareceu após ser abordado por policiais militares na noite de 12 de agosto de 2022, em São Gabriel. O corpo do jovem foi encontrado em um açude na localidade de Lava Pé no dia 19 de agosto daquele ano.
Segundo o Ministério Público, Gabriel foi agredido, colocado em uma viatura policial e posteriormente morto. A defesa dos acusados contesta a denúncia. O caso segue em julgamento pelo Tribunal do Júri.
Fonte: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul