O projeto executivo para o restauro interno do Edifício João Fontoura Borges, conhecido como prédio da antiga Sociedade União dos Caixeiros Viajantes (SUCV), avançou mais uma etapa em Santa Maria. O estudo, que está em fase final de conclusão, foi apresentado ao prefeito Rodrigo Decimo nesta sexta-feira (21), durante reunião no Centro Administrativo Municipal.
O edifício, localizado na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Venâncio Aires, completa 100 anos de inauguração em setembro. O projeto deverá servir como base para a futura licitação das obras de revitalização dos 1.719 metros quadrados pertencentes ao Município.
Os estudos começaram em fevereiro de 2024 e receberam investimento de R$ 320 mil, com recursos próprios da Prefeitura. O trabalho é desenvolvido pela empresa Edegar B. Luz – Consultoria e Projetos de Restauro Ltda., de Porto Alegre.
A intenção do Município é transformar o prédio novamente em um espaço de uso da comunidade, com possibilidade de implantação de um novo museu, salas multiuso, exposições, oficinas, eventos culturais e espaços destinados a órgãos ligados à cultura.
“Queremos que o edifício, integrado à nossa praça principal, seja amplamente ocupado com um novo museu, salas multiuso e eventos culturais”, afirmou o prefeito Rodrigo Decimo.
Projeto faz diagnóstico completo do prédio
Para elaborar o projeto de restauro, os arquitetos realizaram uma série de prospecções no interior do prédio, que possui cinco pavimentos e atualmente está interditado devido a problemas físicos e elétricos.
O levantamento incluiu análises químicas das argamassas originais, testes de umidade e identificação das cores originais das paredes e das esquadrias de portas e janelas.
Entre as diretrizes está a preservação das características originais do elevador do edifício, considerado o mais antigo de Santa Maria. O projeto também adota o conceito de mínima interferência, buscando manter os elementos históricos e utilizar materiais compatíveis com a estrutura existente.
Para garantir acessibilidade e atender às normas de segurança contra incêndio, estão previstas intervenções como uma nova rampa frontal, uma escada e uma plataforma elevatória no acesso principal. O projeto também contempla a modernização do elevador.
De acordo com o arquiteto Bruno Walter de Luz, responsável pelo trabalho, as soluções foram pensadas para adaptar o prédio às necessidades atuais sem comprometer suas características históricas.
O projeto definitivo deverá ser entregue nas próximas semanas, incluindo projetos complementares elétricos e hidráulicos, memorial descritivo, orçamento e detalhamentos de acessibilidade. Após a análise e aprovação pelas equipes técnicas da Prefeitura, o material servirá de base para o edital de licitação da obra.
Prédio completa um século em setembro
Tombado como Patrimônio Histórico de Santa Maria desde 1993, com proteção das fachadas externas, o Edifício João Fontoura Borges é um dos principais marcos arquitetônicos do município.
A construção começou na década de 1920. A pedra fundamental foi colocada em 20 de dezembro de 1922, e o prédio foi construído entre 1923 e 1926. A inauguração oficial ocorreu em 20 de setembro de 1926.
A edificação apresenta influências do Art Nouveau, especialmente nos elementos de ferro forjado e detalhes ornamentais, além de características do Neoclassicismo.
O nome João Fontoura Borges é uma homenagem ao presidente da Sociedade União dos Caixeiros Viajantes na época da construção.
O Município desapropriou o prédio em 2011. A partir de 2012, o imóvel chegou a abrigar o Gabinete do Prefeito. Posteriormente, recebeu a Secretaria de Educação e, entre 2017 e 2020, espaços da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer.
O prédio acabou interditado devido a problemas nas instalações elétricas e na cobertura.
Em agosto de 2022, a Prefeitura concluiu a primeira etapa de recuperação do imóvel, com a revitalização completa da fachada externa.
Agora, o projeto de restauro interno representa a segunda etapa para a retomada do espaço. A expectativa do Município é que, após a conclusão das obras, o prédio volte a receber atividades culturais e seja integrado às ações do Distrito Criativo Centro-Gare.
A secretária de Cultura, Rose Carneiro, destacou que a recuperação do edifício representa também o resgate de parte da história de Santa Maria e da trajetória dos caixeiros viajantes e do comércio local.
Foto: Marcelo de Oliveira
Fonte: Prefeitura Municipal de Santa Maria